Atuação dos enfermeiros na identificação e notificação dos casos de violência contra a mulher

Rodrigo Jácob Moreira de Freitas, Viviane Benício de Sousa, Tathiane da Silva Cruz e Costa, Rúbia Mara Maia Feitosa, Ana Ruth Macêdo Monteiro, Natana Abreu de Moura

Resumo


O trabalho teve como questão norteadora: como é a atuação dos enfermeiros na identificação e notificação dos casos de violência contra a mulher nas Unidades de Pronto Atendimento? Assim, objetivou compreender a atuação destes profissionais na identificação e notificação dos casos de violência contra a mulher nessa modalidade de atendimento do Sistema Único de Saúde. Pesquisa qualitativa, realizada em 2014. Os sujeitos foram dez enfermeiros, sendo a amostra escolhida por conveniência e por critérios que englobaram o objetivo do estudo: pertencimento ao quadro funcional da UPA e atuação em gerência e/ou na assistência aos usuários. Utilizou-se entrevista semiestruturada, com questões que abordaram: a identificação dos tipos de violência mais frequente no serviço e o papel do enfermeiro na notificação, bem como a dificuldade para efetuá-la. A análise se deu de acordo com a análise do conteúdo de Bardin. Os tipos de violências mais comuns, dentificados pelos enfermeiros entrevistados, foram a psicológica e a física. O processo de identificação e notificação dos casos de violência contra a mulher esbarra na falta de preparo e o receio dos enfermeiros se envolverem no caso. Os mesmos confundem o ato de notificar com denúncia e criminalização, contribuindo para a invisibilidade do problema. É preciso capacitação, reflexão e suporte aos enfermeiros para que se sintam aptos e seguros a trabalhar com a problemática, uma vez que este tem um papel crucial na detecção de casos de violência contra a mulher nos serviços de saúde.

Palavras-chave


Enfermagem; Violência; Notificação; Serviço de Saúde

Texto completo:

PDF

Referências


BARDIN, L. Análise de Conteúdo. 4. ed. Lisboa: Edições 70, 2010.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico. v. 44, n. 9, 2013a. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/boletim_epidemiologico_numero_9_2013.pdf . Acesso em: 28 maio 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva): 2009, 2010 e 2011. Brasília-DF, 2013b. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sistema_vigilancia_violencia_acidentes.pdf . Acesso em: 20 jun. 2014.

BURAFALDI, L.A. et al. Violência de gênero: comparação da mortalidade por agressão em mulheres com e sem notificação prévia de violência. Ciência & Saúde Coletiva, v.22, n.9, p. 2929-2938, set. 2017.

CARNEIRO, A. A.; FRAGA, C. K. A Lei Maria da Penha proteção legal vítima à mulher em São Borja no Rio Grande do Sul: da Violência denunciada à Violência silenciada. Revista Serviço Social & Sociedade, n.110, p.369-397, abr./jun. 2012.

COELHO, E.B.S.; SILVA, A.C.L.G; LINDNER, S.R (Org.). Violência: definições e tipologias. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2014. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/1862 . Acesso em: 28 maio 2018.

COLOSSI, P.M.; FALCKE, D. Gritos do silêncio: a violência psicológica no casal. Psico, v. 44, n. 3, p. 310-318, jul./set. 2013.

FERRAZ, M.I.R.; LABRONICI, L.M. Fragmentos de corporeidades femininas vítimas de violência conjugal: uma aproximação fenomenológica. Texto & Contexto Enfermagem, v.24, n.3, p. 842-849, jul./set. 2015.

GARCIA, L. P. et al. Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil. São Paulo: Ipea, 2013. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/130925_sum_estudo_feminicidio_leilagarcia.pdf . Acesso em 13 abr. 2014.

GARBIN, C.A.S. et al. Desafios do profissional de saúde na notificação da violência: obrigatoriedade, efetivação e encaminhamento. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n.6, p.1879-1890, jun. 2015.

LIMA, L.A.A. et al. Assistência de enfermagem às mulheres vítimas de violência doméstica. Revista Enfermagem UFPI, v.6, n.2, p. 65-68, abr./jun. 2017.

MATTOS, P. R.; RIBEIRO, I. S.; CAMARGO, V. C. Análise dos casos notificados de violência contra mulher. Cogitare enfermagem, v.17, n.4, out./dez. 2012.

NETTO, L.A. et al. Violência contra a mulher e suas consequências. Revista Acta paulista de enfermagem, v.27, n.5, p. 458-464, jun. 2014.

RODRIGUES, W.F.G.; RODRIGUES, R.F.G.; FERREIRA, F.A. Violência contra a mulher dentro de um contexto biopsicosocial um desafio para o profissional da enfermagem. Revista enfermagem UFPE, v. 11, n.4, p.1752-1758, abr. 2017.

SILVA, C.S.P.; GRICIO, A.M.; PIMENTA, M.R.C. Levantamento e espacialização da criminalidade urbana do município de Mossoró-RN. Holos, v. 3, n.32, mar. 2016.

SILVINO, M.C.S. et al. Mulheres e violência: características e atendimentos recebidos em unidades de urgência. Journal of Health Sciences, v.18, n.4, pp.240-244, ago. 2016.

TOLEDO, L. M. (Org.). Violência: orientações para profissionais da atenção básica de saúde. Rio de Janeiro, ENSP/FIOCRUZ, 2013.

WAISELFISZ, J. J. Mapa da violência 2012 – Caderno complementar 1: Homicídios de

Mulheres no Brasil. São Paulo, 2012. Disponível em: http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2012/mapa2012_mulher.pdf . Acesso em 28 maio 2014.

WHO. World Health Organization. Preventing intimate partner and sexual violence against women. Taking action and generating evidence. Geneva, 2010. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/44350/1/9789241564007_eng.pdf . Acesso em: 25 maio 2014.




Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

 

HU Rev., Juiz de Fora, MG, Brasil. e-ISSN: 1982-8047 / p-ISSN: 0103-3123 

 

INDEXADORES:

      

 

   

 

  

 

 

 

 

 

 

Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

 

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia